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Daniel Wark: O rosto humano da defesa sindical na POST Telecom

Por vezes, são os imprevistos que traçam os percursos de vida mais bonitos. Quando se candidatou pela primeira vez às eleições sociais, Daniel Wark procurava apenas apoiar os colegas, completando uma lista. Eleito, contra todas as expectativas, para a presidência da delegação da ALEBA na POST Telecom, teve de aprender a orientar, escutar e defender uma comunidade de trabalhadores que conta hoje com quase 900 pessoas. Já no seu terceiro mandato, o seu percurso mostra que a representação sindical é, acima de tudo, uma questão humana — uma presença atenta e tranquilizadora, capaz de acompanhar o ritmo intenso da evolução da empresa.

A POST Telecom tornou-se, aliás, uma das empresas onde a ALEBA mais consolida a sua presença fora do setor financeiro e dos seguros, nomeadamente graças ao empenho do Daniel e dos seus colegas da delegação do pessoal. A 13 de novembro de 2025, no seguimento das negociações conduzidas essencialmente pelo Daniel, foi assinado um novo Contrato Coletivo de Trabalho, que entrou em vigor a 1 de janeiro de 2026 por um período de dois anos, garantindo a manutenção dos direitos adquiridos e um aumento salarial de 2,5%.

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A carreira de Daniel começou no setor informático, primeiro na Telindus (mais tarde adquirida pela Proximus), depois na CMD, uma empresa privada que utilizava a rede de telecomunicações LUXGSM da P&T Luxembourg. Com o tempo, a CMD foi adquirida pela POST, dando origem à atual POST Telecom. «Quando comecei na CMD, éramos 19. Hoje, somos quase 900», sublinha, testemunhando o crescimento avassalador que viveu de dentro. O seu envolvimento sindical, por sua vez, foi despertado por uma frustração bem concreta em 2013: a delegação então em funções, composta por outros grandes sindicatos, tinha negociado uma convenção coletiva à porta fechada. «Assinaram algo sem que ninguém soubesse, muito rapidamente. E não era uma convenção particularmente boa para a altura. Não gostámos», explica. Determinados a trazer mais transparência ao processo, Daniel e os colegas decidiram formar uma lista neutra e independente. Precisavam de apoio jurídico, mas queriam evitar as ligações políticas comuns a outros sindicatos. Foi assim que, através de contactos profissionais, se aproximaram da ALEBA, que procurava precisamente abrir-se a outros setores além das finanças. Desde então, a parceria nunca esmoreceu.

Sob a presidência de Daniel, a delegação da POST Telecom, com o apoio da ALEBA, conquistou vitórias substanciais para os trabalhadores, lidando muitas vezes com a complexidade de unir diferentes culturas empresariais e contratos herdados do passado. Nas fusões recentes com a Elgon e a EBRC, o desafio foi considerável, sobretudo para harmonizar os horários de trabalho e os dias de férias. «Antes, os colaboradores tinham direito a 27 dias de férias na contratação, podendo este número subir até um máximo de 30 dias após mais de 25 anos de antiguidade», precisa Daniel. «Após a última fusão, conseguimos negociar um direito de base de 32 dias de férias, podendo chegar a 37 dias no final da carreira. É uma grande vantagem.» A delegação conseguiu também proteger a flexibilidade dos horários móveis. A evolução da grelha salarial é outro avanço de relevo: enquanto antes um colaborador só progredia de cinco em cinco anos, atingindo o último escalão aos 21 anos de antiguidade, a progressão passa agora a fazer-se de dois em dois anos, e o limite máximo foi alargado para 30 anos de antiguidade, tornando as carreiras muito mais atrativas. A isto somam-se um décimo terceiro mês garantido a meio, um bónus ligado à avaliação de desempenho, melhorias nas condições de leasing automóvel, e um direito adquirido a 12 horas de consultas médicas pagas por ano para cada trabalhador.

Apesar destes avanços estruturais impressionantes, é no acompanhamento individual do dia a dia que Daniel encontra mais satisfação.

«O que mais gosto é de ajudar as pessoas», confessa. «Seja para negociar algo em seu nome ou simplesmente para lhes dar apoio moral antes de uma conversa difícil. Se conseguir fazer com que as pessoas se sintam melhor, esse é o meu principal objetivo.»

Esta abordagem humana é essencial numa empresa em constante transformação, onde as fusões trazem inevitavelmente reorganizações, alterações nas funções e, por vezes, despedimentos. Nestes momentos de tensão, a presença de um delegado sindical dedicado faz toda a diferença.

«Digo sempre às pessoas: é bom estar sindicalizado, e o ideal é nunca precisar de o usar. Mas quando surgem questões jurídicas, despedimentos abusivos ou assédio, é aí que se precisa desse apoio. Saber que não se está só devolve a confiança.»

Para Daniel, a escolha de se associar à ALEBA foi muito ponderada e assenta num valor fundamental: a independência. «Para mim, a ALEBA foi uma escolha evidente, por ser o único sindicato politicamente neutro», afirma. «Essa neutralidade traz vantagens claras. Não somos apadrinhados por políticos, e não misturamos política com o que se passa dentro da empresa. »Aprecia também a abordagem respeitosa da ALEBA em matéria de adesão, que prefere convencer pelo exemplo em vez de pela pressão. À medida que a POST Telecom continua a crescer — acolhendo uma força de trabalho cada vez mais internacional e preparando-se para desafios tecnológicos como a inteligência artificial, que Daniel vê mais como uma oportunidade de integração do que como uma ameaça — a sua missão mantém-se clara. Com as próximas eleições sociais à vista, o objetivo é continuar a proteger os direitos dos trabalhadores e dar a conhecer os valores da ALEBA aos novos colegas. Como Daniel conclui com convicção: «Se não tivéssemos sindicatos, não estaríamos onde estamos hoje. Quanto mais forte for um sindicato, mais membros tem, e mais poder tem para fazer mudar as coisas. É tão simples quanto isso.»

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