×
Sábado, 25 abril 2026
+352 223 228 – 1

O Capital Humano no Coração da Empresa: Uma Entrevista com Fabrizio Ciardiello

A introdução de Fabrizio Ciardiello ao mundo financeiro luxemburguês não se deu num gabinete de direção, mas através da distribuição de correio. Nascido na Suíça e criado entre a França, a Itália e o Luxemburgo, iniciou o seu percurso como estudante no Banco Europeu de Investimento. Mais tarde, enquanto prosseguia os seus estudos, foi ao trabalhar como arrumador de carros e paquete na portaria do Hôtel Le Royal que teve a verdadeira epifania. Ali, aprendeu que a competência mais valiosa no mundo profissional, independentemente do setor, é a relação humana.


Foi essa capacidade de apresentação e um sentido inato de serviço, aliados ao seu domínio de várias línguas, que lhe abriram as portas do Edmond de Rothschild em 2006. Quase vinte anos depois, continua a trabalhar lá como Client Relationship Manager. Naturalmente, Fabrizio assumiu outro papel junto dos seus colegas: o de confidente e mediador. Confessa ter sempre gostado de ajudar os outros, sem sequer saber que isso se assemelhava ao papel de um representante sindical. Visceralmente oposto à injustiça, faz questão de precisar que esta exigência de equidade deve aplicar-se nos dois sentidos: um representante deve saber defender um funcionário perante um chefe abusivo, mas também deve saber manter-se objetivo caso um funcionário ultrapasse os limites.


Este sentido de justiça ganhou uma dimensão muito concreta em 2015. Nesse ano, uma parte da atividade do banco foi subcontratada, resultando na transferência de 150 pessoas para outra entidade. Fabrizio pôde observar de perto o impacto dos sindicatos. Viu como a sua intervenção permitiu tranquilizar as equipas e assegurar uma transição sem perda de postos de trabalho. Foi uma verdadeira revelação sobre a necessidade de ter uma forte representação interna.


A história repetiu-se em 2024, quando o banco decidiu separar-se da sua atividade de Asset Management. Para Fabrizio e os seus colegas, já não era opção continuarem como meros espetadores de decisões que iriam impactar as suas vidas. Conscientes de que estas operações geram frequentemente danos colaterais, decidiram formar a sua própria lista sindical para estarem no centro das negociações. Impulsionado pelos seus pares, que apreciavam o seu perfil agregador, Fabrizio – que inicialmente desejava ser apenas um representante suplente por falta de tempo – viu-se eleito Presidente da delegação com a maioria dos votos.


Para levar a cabo esta missão, escolheu a ALEBA, um sindicato cuja filosofia correspondia perfeitamente ao seu temperamento. Ao contrário de outras organizações que por vezes considerava demasiado politizadas, encontrou na ALEBA uma abordagem diplomática e serena. O objetivo não é opor-se por princípio, mas sim encontrar soluções duradouras através do diálogo. Este método dá os seus frutos diariamente: a sua delegação, composta por membros que se conhecem na sua maioria há mais de quinze anos, soube instaurar um clima de confiança sólido com a direção. Durante recentes reorganizações internas, esta posição de neutralidade benevolente permitiu-lhes desanuviar tensões entre determinados departamentos e a direção, ajudando ambas as partes a dar um passo em direção à outra. Quando questionado sobre o futuro do mundo do trabalho, Fabrizio insiste num regresso urgente aos princípios fundamentais. Para ele, uma empresa simplesmente não pode funcionar sem os seus colaboradores; o capital humano deve, portanto, voltar a ser a prioridade absoluta das comissões executivas. As convenções colectivas de trabalho e a ação de sindicatos como a ALEBA são, na sua opinião, as únicas verdadeiras garantias para proteger os trabalhadores contra esta deriva da rentabilidade a todo o custo.


Mesmo face às convulsões anunciadas pela inteligência artificial no setor financeiro luxemburguês – nomeadamente para as funções de suporte – o seu pragmatismo prevalece. Embora reconheça que a IA vai transformar o mercado, prefere vê-la como uma ferramenta que, à semelhança do surgimento da calculadora, libertará tempo para tarefas de maior valor acrescentado. E, acima de tudo, relembra que o contacto humano, o mesmo que o impulsionou do Hôtel Le Royal à presidência de uma delegação, nunca poderá ser automatizado.
Para aqueles que iniciam hoje a sua carreira profissional, o conselho de Fabrizio resume-se a três pilares: sindicalizarem-se o mais cedo possível para serem bem aconselhados, esforçarem-se por ver soluções em vez de problemas, e cuidarem sempre das suas relações humanas. Porque, como recorda através da experiência dos seus vinte anos de carreira, o bem que fazemos aos outros acaba sempre por regressar a nós.

Partilhe esta informação

Faça ouvir a sua voz

Torne-se membro hoje mesmo.

Quero-me registar

Porque os seus colegas contam consigo

Representante do pessoal da ALEBA, porque não você?

Junte-se a nós!
Ajuda