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Quarta, 1 abril 2026
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Maternidade e trabalho: a perspetiva de Charlotte Fossoul, coordenadora da ALEBA, sobre a evolução dos seus regressos ao trabalho

O regresso ao trabalho após a maternidade não é vivido da mesma forma quando se é mãe pela primeira vez ou pela quarta. Charlotte Fossoul, coordenadora da ALEBA, sabe bem disso. Na sequência do seu testemunho anterior, «Testemunho sobre maternidade e carreira – Três experiências diferentes de regresso ao trabalho», partilha hoje o que estes anos lhe ensinaram.

No seu primeiro regresso ao trabalho, Charlotte recorda um período particularmente intenso.

«Havia muito stress, o medo de não estar à altura no trabalho, o medo de não estar à altura como mãe. »

Tal como muitas mães jovens, teve de se adaptar a uma organização totalmente nova entre a vida profissional e a vida privada, tendo como pano de fundo uma culpa muito real ligada à separação do seu bebé, que entrou na creche com apenas quatro meses.

Anos mais tarde, após o nascimento do seu quarto filho, a sua experiência foi completamente diferente. Desta vez, Charlotte regressou ao trabalho com muito mais serenidade. Graças a uma licença parental de um ano, pôde viver plenamente este primeiro ano ao ritmo do seu bebé, sem pressas. «O regresso foi muito mais sereno. Já não sentia qualquer culpa por o colocar na creche com um ano, porque ele estava pronto para a separação e curioso por descobrir coisas novas.  »Ela explica também ter sentido uma verdadeira necessidade de retomar a sua vida profissional, com a sensação de ter respeitado o ritmo do seu filho, ao mesmo tempo que estava pronta, ela também, para retomar o seu lugar no trabalho.

O regresso não foi menos exigente. Nova equipa, novo papel, novas funções: tudo estava por descobrir. Mas Charlotte sublinha que o facto de ter a mente tranquila no plano familiar mudou tudo.

«Estava mental e fisicamente disponível para me concentrar a 100 % numa formação rápida e eficaz.»

Quando a carga emocional é aliviada, torna-se mais fácil enfrentar um novo desafio profissional com confiança.

Este testemunho reflete uma realidade bem conhecida de muitas mães ativas: a de uma organização diária planeada ao segundo. E, no entanto, apesar desta realidade, certos clichés têm vida longa. Em 2026, Charlotte constata que o estereótipo da «supermulher »continua muito presente. «A reação é sempre a mesma: “Tem quatro filhos e trabalha a tempo inteiro? Mas como é que consegue?”» Uma observação que muitas vezes parte de um espanto sincero, mas que diz muito sobre o olhar ainda lançado sobre as mães que trabalham.

Na verdade, Charlotte fala menos de feito heróico do que de rigor, antecipação e adaptação constante. Cada minuto conta: acordar as crianças, vesti-las, o pequeno-almoço, as saídas para a escola e a creche, as viagens, e depois o mesmo ritual ao contrário à noite. «Não há margem para erros, porque cada minuto conta. Mas se todos tiverem claras as suas responsabilidades, tudo corre bem.» Para preparar o seu regresso, toda a organização familiar foi, aliás, implementada com um mês de antecedência, com orientações precisas para cada um. Uma logística que exige paciência, confiança mútua, flexibilidade e uma sólida gestão do stress.

Para Charlotte, este equilíbrio assenta também na forma como o mundo do trabalho acompanha as mães assalariadas. Ela insiste no papel essencial da direcção. Um bom director, explica ela, sabe ouvir as necessidades de organização de uma mãe que trabalha e encontrar um equilíbrio justo entre as exigências do serviço e a realidade no terreno, em casa. Não se trata de privilegiar, mas de permitir que cada uma evolua num ambiente respeitoso e solidário. Quando uma trabalhadora consegue realizar-se tanto na sua vida profissional como na sua vida familiar, «todos ganham», recorda ela.

Charlotte também deseja enviar uma mensagem de encorajamento às mulheres grávidas que trabalham atualmente no Luxemburgo: elas têm direitos, e esses direitos são importantes. Ela salienta que o Luxemburgo está a implementar um conjunto de medidas que podem realmente apoiar as mulheres, as mães e as trabalhadoras, quer estejam sozinhas ou acompanhadas, quer estejam próximas da família ou não. Num país tão multicultural, este apoio desempenha um papel essencial.

Mas, apesar destes avanços, alguns obstáculos continuam bem presentes. Segundo Charlotte, o mais pesado continua a ser esta pressão de ser irrepreensível em todas as frentes. Irrepreensível como mãe, irrepreensível como funcionária, sem nunca mostrar fraqueza. «Muitas mães aceitam esta pressão por medo de desapontar ou de serem julgadas», observa ela. Uma realidade que continua a alimentar a carga mental e a travar a realização de muitas mulheres no trabalho.

Com dez anos de experiência como mãe trabalhadora, Charlotte diz hoje sentir-se particularmente orgulhosa por ter aprendido a identificar as suas necessidades, as da sua família, e a estabelecer limites claros. «Quando tudo está claro para todos, não há dúvidas. » E quanto menos dúvidas houver, mais possível se torna controlar o stress do dia a dia, mesmo que isso implique desenvolver, como bónus, uma certa resiliência.

Através deste testemunho, Charlotte lembra que não existe uma «mãe perfeita »nem uma «supermulher», mas sim mulheres que avançam, se adaptam, aprendem e constroem o seu equilíbrio passo a passo. O seu percurso, ao mesmo tempo lúcido e inspirador, mostra também que a conciliação entre maternidade e carreira nunca deve recair apenas sobre os ombros das mães, mas sim sobre um quadro coletivo que as apoie verdadeiramente.

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